Inteligência artificial, conectividade, novos investimentos em data centers, regulação das telecomunicações e computação quântica estarão entre os principais temas do Futurecom 2026 e da primeira edição do Data Center World Brasil. Realizados simultaneamente de 6 a 8 de outubro, no São Paulo Expo, os eventos reunirão representantes do governo, executivos, pesquisadores e especialistas em debates que irão das novas aplicações da IA e dos agentes autônomos à cibersegurança, energia, financiamento e infraestrutura necessária para ampliar a capacidade de processamento de dados e atrair novos projetos para o Brasil.
A abertura oficial do Futurecom será no dia 6 de outubro, com discurso do Ministro das Comunicações, Frederico Siqueira. Na sequência, o ministro participará do painel "Brasil Digital" em uma discussão sobre conectividade, infraestrutura e os rumos dos serviços digitais no país.
A regulação do setor também estará em pauta com Carlos Baigorri, presidente da Anatel, que receberá convidados para falar sobre o papel estratégico das telecomunicações e os desafios regulatórios para o período de 2027 a 2030. Em seguida, Hermano Tercius, secretário de Telecomunicações do Ministério das Comunicações, participará de uma conversa sobre conectividade, competitividade e inovação com executivos da BrasilTecPar, Vero e Brisanet.
Uma das principais atrações do Futurecom, a pesquisadora brasileira Elisa Pereira, de Stanford, apresentará um estudo sobre aplicações bem-sucedidas de inteligência artificial. A pesquisa identificou que 77% dos desafios mais difíceis para colocar a IA em prática não eram técnicos, mas estavam relacionados a pessoas e processos. Elisa mostrará o que diferencia empresas que conseguem transformar a experimentação com IA em aplicações capazes de ganhar escala e gerar resultados.
Das aplicações concretas da inteligência artificial às tecnologias que começam a entrar nas decisões estratégicas das empresas, o cientista brasileiro Paulo Sergio Rufino Henrique, radicado em Paris, apresentará o workshop "Quantum for Business Leaders". Voltado a líderes empresariais, o encontro abordará, sem equações, fundamentos da computação e da comunicação quânticas, criptografia pós-quântica e segurança de agentes autônomos de IA.
A inteligência artificial também será analisada pelo impacto que já provoca no comportamento e nas relações de consumo. Hugo Rodrigues, executivo com trajetória na publicidade e passagem pela WMcCann e Aldeiah, discutirá como a tecnologia influencia decisões de compra, transforma a relação entre marcas e consumidores e começa a redesenhar estratégias de negócios.
Esporte e entretenimento também ganharão espaço com a estreia da Arena Stadium, novo ambiente dedicado às relações entre tecnologia, conectividade e experiência do público. Infraestrutura de arenas e estádios, transmissão, redes privativas e processamento de dados em tempo real estarão entre os assuntos em debate. Cesar Cielo falará sobre alta performance, eficiência e o desafio de manter o topo, enquanto Laís Souza levará ao evento sua experiência sobre resiliência e adaptação.
A infraestrutura necessária para sustentar o avanço da inteligência artificial levará a discussão aos data centers. A primeira edição do Data Center World Brasil será realizada em um momento de expansão da demanda por capacidade computacional e de avanço do Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter, o Redata. Investimentos, regulação, financiamento, conectividade e segurança jurídica estarão entre os fatores em debate para ampliar a competitividade do Brasil e viabilizar novos projetos.
Energia terá peso especial nessa discussão. Disponibilidade, estabilidade do fornecimento, custos e alternativas de geração estarão entre os fatores analisados diante de um mercado em que a capacidade elétrica já influencia a escolha de onde instalar novos empreendimentos. A expansão na América Latina também estará em pauta, com representantes de empresas como Ascenty e Vertiv em uma discussão sobre investimentos e decisões de arquitetura diante das diferentes condições de energia, regulação, custos e conectividade na região.
A visão de quem contrata essa infraestrutura também estará presente. Executivos de Riachuelo e Rappi, além de um ex-líder de tecnologia da Netflix, levarão experiências sobre critérios que pesam na escolha de data centers, como latência, continuidade operacional, dependência de fornecedores e localização. O aumento da densidade computacional provocado pela IA levará ainda ao debate sobre prevenção de falhas, crises e eventos extremos, com Fabiano Tatsugawa Duarte, diretor de Infraestrutura de Missão Crítica da Claro Brasil.
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