Segunda, 21 de Setembro de 2026
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Projeto arquitetônico traz paisagismo nativo e uso misto

Assinado pela Cardim Arquitetura Paisagística e pelos arquitetos Fernando Rivaben e Fernanda Marques, WTC Ribeirão Preto conta com plantas nativas e espaços de convívio que conectam moradia, trabalho e serviços

21/09/2026 12h18
Por: Farmers Fonte: Agência Dino
Divulgação/Copema
Divulgação/Copema

Existe um paisagismo que decora e um paisagismo que resolve problema. Para o botânico e paisagista Ricardo Cardim, mestre em Botânica pela Universidade de São Paulo, diretor da Cardim Arquitetura Paisagística e um dos nomes mais premiados do setor no país, o paisagismo brasileiro ainda carrega um problema estrutural: cerca de 90% da vegetação usada em áreas urbanas no país é de origem estrangeira, uma escolha que ele considera um apagamento cultural e ecológico da flora brasileira.

É esse diagnóstico que orienta o projeto paisagístico do WTC Ribeirão Preto, empreendimento desenvolvido pela Copema. "O que me chamou a atenção em Ribeirão Preto é que é uma cidade muito quente. Minha primeira preocupação foi como criar conforto térmico para quem vai viver e trabalhar ali, e para isso, uma sombra de qualidade viva é fundamental", afirma Cardim. O projeto é inteiramente concebido com espécies nativas, decisão que ele descreve como parte de uma "reparação ecológica e cultural" diante da escassez histórica de áreas verdes coletivas nas cidades brasileiras.

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Cardim resume o conceito por trás do projeto como a construção de uma "cidade verde de terceira geração", um modelo em que a vegetação nativa ancestral convive em equilíbrio com a infraestrutura e a tecnologia contemporâneas. "Será o melhor dos dois mundos: os benefícios da natureza nativa ancestral e todo o conforto, tecnologia e segurança da vida moderna", diz. Para ele, o paisagismo de convívio tem função que vai além da estética: "Áreas verdes funcionais ajudam na saúde mental das pessoas, e isso é algo muito valioso no tempo em que vivemos hiperconectados."

O luxo que se sente, não apenas se vê

Se o paisagismo de Cardim ataca a escala urbana, a arquitetura de Fernanda Marques mira a experiência de quem ocupa o espaço. "Hoje, quando se fala em alto padrão, a qualidade de um projeto não está apenas no que se vê, mas principalmente no que se sente", afirma a arquiteta, que recentemente levou essa tese a uma plateia internacional em Paris. Para ela, o luxo contemporâneo se manifesta na clareza dos espaços e no conforto de uma experiência que "acompanha o ritmo de quem vive ali", tornando o projeto algo vivido, não apenas fotografado.

Essa premissa aparece na escolha de materiais do WTC Ribeirão Preto, uma base neutra de porcelanatos e pedras naturais combinada à presença da madeira, criando o que Marques chama de atmosfera "equilibrada, acolhedora e atemporal". Mas o que mais chamou sua atenção no projeto, diz, foram as áreas comuns: "Existe uma intenção clara de criar espaços que incentivam o encontro e a permanência, trazendo uma dimensão mais humana ao projeto."

Uma centralidade que se fortalece

A concepção arquitetônica do edifício é assinada por Fernando Rivaben, à frente da Rivaben Arquitetura há quase 40 anos e responsável por mais de 600 projetos no país. Para ele, o WTC Ribeirão Preto marca a chegada à cidade de um conceito ainda raro no país: o de branded residence. "Nosso trabalho neste projeto vai além da estética. É uma entrega pensada para integrar forma e função, conectando o ritmo urbano ao design contemporâneo e às necessidades de um público cada vez mais dinâmico", afirma Rivaben.

Ao lado do RibeirãoShopping, o arquiteto descreve o empreendimento como um fortalecimento de uma centralidade já consolidada da cidade, um eixo que já reúne polo médico, hotelaria, serviços e infraestrutura, e que o projeto qualifica e potencializa as conexões em vez de disputar espaço. "Estamos diante de um projeto que não apenas ocupa a cidade, mas dialoga com ela e a qualifica. Um edifício que une propósito e visão de futuro, ampliando a inserção de Ribeirão Preto entre os centros urbanos de destaque do Brasil", diz.

Conexão como fio condutor

As falas dos profissionais convergem num ponto: o projeto não é tratado como um objeto isolado, mas como parte de um ecossistema urbano. E é a conexão entre esses elementos, mais do que qualquer um deles isoladamente, que os entrevistados apontam como o diferencial. Marques argumenta que o conceito de mix de usos — moradia, trabalho, lazer e serviços no mesmo endereço — muda a relação das pessoas com a cidade. "Quando esses usos coexistem no mesmo lugar, a cidade deixa de ser fragmentada e passa a ser vivida de forma mais fluida e integrada. Isso reduz deslocamentos e cria uma relação mais direta com o entorno", afirma.

A localização reforça essa leitura: para a arquiteta, desenvolver um projeto de uso misto em uma região já consolidada permite que o empreendimento "se conecte de forma mais imediata com o cotidiano das pessoas", ao mesmo tempo em que qualifica a área ao redor.

Para Cardim, o resultado prático dessa combinação de vegetação nativa, arquitetura sensorial e uso misto, é a tentativa de recriar, em escala urbana, uma sensação quase doméstica. "O que eu quero que as pessoas sintam é aquela sensação que os nossos avós tinham nos seus quintais, no fundo de casa: lugares muito agradáveis de estar", resume.

O WTC Ribeirão Preto integra a estratégia de expansão da rede World Trade Center, presente em quase 100 países, para polos econômicos regionais do interior do Brasil, movimento que também já levou a marca a cidades como Goiânia e Uberlândia. "O sucesso na adesão e na variedade geográfica de clientes que estamos recebendo demonstram a força da marca e também de todo o conceito arquitetônico e paisagístico do empreendimento. Ter grandes nomes na assinatura e construção desse projeto é muito gratificante para nós da Copema", afirma Augusto Collaço, diretor comercial da Copema.

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