Às vésperas da COP 30, o debate sobre a responsabilidade das organizações na descarbonização global ganhou destaque. A Pré-COP 30, realizada em Brasília nos dias 13 e 14 de outubro de 2025, reforçou que a sociedade civil tem dado atenção a impactos mensuráveis, transparência e coerência entre discurso e prática por parte de empresas, governos e ONGs, fatores que influenciam reputação e credibilidade.
Anatricia Borges, diretora de Stakeholders Management e Líder ESG LATAM da LLYC, acompanhou o evento e alerta que a credibilidade reputacional, a partir dos impactos efetivos de cada ator na jornada ESG, será o ativo mais valioso da próxima década, para que governos, empresas, organizações da sociedade civil não carreguem mais este passivo em sua reputação, Mais ainda, a discussão principal não é manter a reputação, mas sim demonstrar quais mudanças operacionais estão sendo realizadas na operação e cultura de cada um destes atores, que já estão sob júdice da sociedade civil.
“A emergência climática pôs o holofote na confiança, no trust destes atores, e a Pré-COP 30 é um evento preparatório essencial para a COP, que permite alinhar posições, discutir agendas e antecipar temas críticos relacionados à mudança climática. Ela oferece aos países, empresas, ONGs e sociedade civil a oportunidade de negociar estratégias, construir consensos e revisar compromissos antes da conferência principal. As organizações precisam demonstrar, com dados e resultados, o impacto real de suas ações e como contribuem para uma transição justa, inclusiva e de impacto nas normas determinantes , E com o que saimos desta Pré COP, é isso que os atores principais devem pensar” alerta Anatricia Borges.
Segundo a diretora, o setor privado tem diante de si cinco caminhos essenciais para atuar em sinergia com a agenda climática da COP 30. O primeiro é apresentar compromissos com resultados tangíveis, estabelecendo metas claras, indicadores públicos e mecanismos de monitoramento contínuo. O segundo passa por integrar a Amazônia e outros biomas às estratégias de negócios, com parcerias baseadas na ciência e relações horizontais com comunidades locais e cadeias produtivas sustentáveis.
Também é necessário revisar políticas de comunicação e transparência, tornando-as mais acessíveis ao público e aos investidores, com linguagem clara e didática. Outro eixo fundamental é demonstrar compromisso com uma transição justa, combinando inovação tecnológica, descarbonização e geração de empregos verdes. Por fim, Borges destaca a importância de planejar o legado pós-COP 30, garantindo continuidade das ações e credibilidade após o evento em Belém, em um contexto no qual a sociedade civil continuará a cobrar posicionamento e resultados concretos, dez anos após o Acordo de Paris.
Ainda segundo Anatricia, a COP 30 não será apenas um encontro político, mas um divisor de águas na forma como governos e empresas serão cobrados por coerência. “A reputação climática está se tornando um ativo estratégico. As companhias que entenderem essa virada e agirem com consistência sairão na frente, serão vistas não apenas como parte da economia verde, mas como protagonistas de uma nova economia de confiança”, conclui.
A COP 30 será realizada entre os dias 10 e 21 de novembro, em Belém (PA), e deve reunir líderes de mais de 160 países. Para o setor privado, acompanhar de perto as discussões e deliberações será essencial para antecipar tendências, compreender novas exigências globais e fortalecer o posicionamento de suas marcas em uma economia cada vez mais orientada pela sustentabilidade e pela credibilidade climática.
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