
“A água é o rei dos alimentos”, embalados por esse provérbio africano, o Dia Mundial da Alimentação foi celebrado em um evento inédito, realizado no Museu de Arte Moderna da Bahia, em Salvador, na segunda-feira (16). Com o tema ‘Água é vida. Água é alimento’, o encontro foi organizado pela organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), Programa Mundial de Alimentos (WFP), Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) e pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (Fida), em parceria com o Governo do Estado.
O evento teve o objetivo de apresentar e discutir soluções para os desafios globais relacionados à alimentação. Um dos pontos altos do evento foi a participação da agricultura familiar da Bahia, que montou um estande para a apresentação e comercialização de diversos produtos. Essa presença reforçou a importância da agricultura familiar na produção de alimentos sustentáveis, destacando a diversidade de alimentos e os resultados dos investimentos feitos pelo Governo do Estado, ao longo dos anos, que vem promovendo a sustentabilidade e o apoio às comunidades rurais.
Para o diretor-presidente da CAR, Jeandro Ribeiro, a agricultura familiar desempenha um protagonismo neste cenário: “nosso rural baiano produz alimento saudável, que constrói ambiente para que a gente possa ofertar para a população alimentos com qualidade. Hoje, o cenário da Bahia é muito melhor do que em vários outros estados em função dos investimentos que foram feitos nos últimos anos e, agora, a gente pode começar a colher esses frutos.”
O oficial de programas do Fida no Brasil Hardi Vieira destacou, durante o evento, a importante parceria com o Governo do Estado, que se estende há três décadas na implementação de ações transversais para o combate à fome. “Estamos celebrando, no mundo, o Dia Mundial da Alimentação, que é uma inciativa da FAO e do Fida. Esse dia especial de celebração visa dar mais atenção à questão dos alimentos saudáveis no mundo e, com isso, voltar a atenção do mundo para as questões da soberania e da nutrição e segurança alimentar, para que todas as famílias, todas as pessoas tenham alimentos saudáveis na mesa e ninguém passe fome. A Bahia se disponibilizou para celebrar esse dia e, para o Fida, é especial que esse dia seja na Bahia, em Salvador, porque o Fida tem uma cooperação muito forte com o Governo da Bahia”, destacou Hardi.
No estande da agricultura familiar baiana montado no evento, os visitantes tiveram a oportunidade de conhecer uma variedade de produtos, como o flocão de milho não-transgênico, da Cooperativa Agropecuária Mista Regional de Irecê (Copirecê), que já é sucesso de vendas, as geleias de umbu, da Cooperativa de Agropecuária Familiar de Canudos, Uauá e Curaçá (Coopercuc), e a cerveja de licuri, da Cooperativa de Produção da Região do Piemonte da Diamantina (Coopes), dentre outros alimentos de cooperativas e associações da agricultura familiar.
A coordenadora de comunicação do movimento Pacto Contra a Fome, Luiza Vieira, visitou o estande e falou sobre a participação da agricultura familiar no evento: “hoje é um dia muito significativo para quem atua no combate à fome e poder estar aqui nesse evento e prestigiar o estande da agricultura familiar da Bahia é muito especial. Eu sou de São Paulo e muitos desses produtos daqui não fazem parte da minha rotina. Então, é muito legal ver, por exemplo, uma cerveja de licuri, ou uma geleia de umbu. Acho que isso é muito significativo, é a identidade do povo baiano. A agricultura familiar é essencial para o combate à fome e, também, para estimular a produção local, a bioeconomia, proteger as florestas e os biomas. Acho que é um trabalho espetacular que tem sido feito”.
Bahia Sem Fome
O Governo do Estado assinou, durante o evento, o projeto de lei que institui o programa Bahia Sem Fome e cria a Rede de Equipamentos Integrados para o Combate à Fome. O documento será enviado para votação na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba).
O Bahia Sem Fome tem como principal meta promover a segurança alimentar e nutricional no Estado, garantindo às pessoas em situação de vulnerabilidade social o acesso a alimentos em qualidade e quantidade necessárias o direito humano à alimentação e nutrição adequada e saudável, reduzindo os índices de insegurança alimentar grave no Estado da Bahia, com foco nas famílias extremamente pobres no campo e na cidade. A ação é vinculada à Casa Civil, por meio da Coordenação Geral de Ações Estratégicas de Combate à Fome.
“A ação vai desde o emergencial, que é assegurar a comida na mesa das pessoas que vivem em situação de fome, até as ações estruturantes articuladas a partir de políticas públicas que podem, de fato, nos ajudar a vencer esse desafio da atualidade. Desde o começo do Bahia Sem Fome, em março deste ano, já foram arrecadadas 900 toneladas de alimentos e 800 já foram entregues às entidades e organizações da sociedade civil que estão cadastradas no programa”, ressaltou o coordenador do programa, Tiago Pereira.
Fonte: Ascom/CAR
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