Economia Economia
Escalas de trabalho influenciam saúde mental das equipes
Karla Spadafora, da SISQUAL® WFM, explica como escalas mais equilibradas podem reduzir sobrecarga e preservar o bem-estar de equipes que atuam sob pressão constante, caso das que trabalham na área da saúde
21/09/2026 15h03
Por: Farmers Fonte: Agência Dino

O aumento expressivo nos afastamentos do trabalho por transtornos mentais tem levado empresas e especialistas a reconsiderar um fator muitas vezes deixado em segundo plano: a forma como as jornadas e escalas de trabalho são organizadas. Segundo levantamento do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) feito em parceria com a Associação Nacional de Medicina do Trabalho (Anamt), o número de trabalhadores afastados por transtornos mentais no Brasil cresceu 79% entre 2023 e 2025, com destaque para o salto nos casos de burnout, síndrome de esgotamento associada à sobrecarga profissional.

Para Karla Spadafora, gerente de produtos de saúde na SISQUAL® WFM, empresa de tecnologia especializada em gestão de força de trabalho (Workforce Management), a experiência dos colaboradores precisa ser vista como parte dos resultados de uma organização. "Em segmentos como a saúde, por exemplo, em que lidamos diariamente com alta complexidade, pressão e a responsabilidade de cuidar de vidas, ter o adequado equilíbrio entre vida profissional e pessoal das equipes deixou de ser uma questão operacional para se tornar uma forma estratégica de garantir a saúde mental da equipe e da instituição", afirma.

Fundada em 1992 em Portugal, a SISQUAL® WFM está há 15 anos no Brasil e tem sua solução presente em mais de 750 hospitais no país, além de atuar em varejo, hotelaria, logística, transportes e serviços. O software, de caráter modular, é usado por gestores para planejar horários, controlar marcações e organizar a rotina de equipes.

Falta de previsibilidade pesa sobre as equipes

Continua após a publicidade

A respeito das mudanças de última hora e da falta de previsibilidade, Spadafora avalia: "Escalas desequilibradas podem concentrar uma carga maior sobre determinados profissionais ou equipe, o que compromete não apenas o bem-estar individual, mas também a qualidade do trabalho entregue".

A executiva também elenca sinais de que a organização das escalas pode estar contribuindo para o desgaste dos colaboradores: aumento de horas extras, trocas frequentes de plantão, absenteísmo e turnover, além de dificuldade recorrente para preencher determinadas escalas e concentração de carga horária em um único profissional ou equipe. "O aumento dos pedidos de troca e, principalmente, manifestações frequentes de insatisfação relacionadas à jornada completam a lista de indícios a serem observados pelos gestores", acentua.

Esse cenário ganha peso adicional diante da atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que passou a incluir os fatores de riscos psicossociais relacionados ao trabalho no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) das empresas brasileiras. A partir de 26 de maio de 2026, fatores como sobrecarga, jornadas exaustivas e falta de previsibilidade passam a integrar as obrigações de prevenção exigidas pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

O papel dos gestores na construção de escalas equilibradas

A gerente de produtos de saúde da SISQUAL® WFM reconhece que conciliar as necessidades operacionais com jornadas mais previsíveis é um dos maiores desafios enfrentados por gestores de equipes. "O gestor precisa garantir que na operação tenha profissionais suficientes, com as competências adequadas, nos locais e horários necessários, ao mesmo tempo que considera as férias, afastamentos, folgas, banco de horas, restrições individuais e do dia a dia", descreve. De acordo com ela, fazer esse equilíbrio de forma manual é extremamente complexo, o que torna o apoio de tecnologias especializadas um recurso relevante nesse processo de decisão.

Nesse contexto, sistemas de Workforce Management (WFM) têm sido usados para tornar a montagem de escalas mais estratégica e orientada por dados. "O WFM, por exemplo, apoia o gestor na construção de escalas mais inteligentes, considerando sempre as demandas, as competências, regras, jornadas, folgas e disponibilidade de cada profissional. Isso traz mais previsibilidade para a operação e, ao mesmo tempo, maior transparência para os colaboradores, que se sentem incluídos nas tomadas de decisão", explica a executiva.

Entre os módulos da companhia estão o SISQUAL® Operations Cockpit, núcleo do sistema onde gestores fazem a gestão dos horários; o SISQUAL® Time & Attendance, voltado às marcações; o SISQUAL® Quality of Life App, aplicativo pelo qual o colaborador acompanha escalas; e o SISQUAL® Rubric Calc, que integra rubricas ao sistema de folha de pagamento.

Para Spadafora, o debate sobre saúde mental no ambiente corporativo precisa considerar a rotina concreta do trabalhador, não apenas iniciativas isoladas de apoio psicológico. "É preciso criarmos condições para que as pessoas trabalhem de forma organizada e previsível. Na área da saúde, isso ganha um peso maior, pois estamos falando de profissionais que cuidam de outras vidas. Cuidar de quem cuida também precisa fazer parte da estratégia das organizações. Prezar pela saúde mental dos colaboradores e da instituição é fazer saúde de forma saudável", conclui.

A discussão sobre jornadas e escalas de trabalho tende a ganhar ainda mais espaço nas empresas brasileiras com a entrada em vigor das novas exigências regulatórias sobre riscos psicossociais, o que deve levar organizações de diferentes setores a rever seus processos de gestão de pessoas nos próximos meses.

Para mais informações, basta acessar: https://www.sisqualwfm.com/pt-br/