
O mercado imobiliário de São Paulo segue em expansão, de acordo com a última Pesquisa do Mercado Imobiliário realizada pelo Secovi-SP. O levantamento indica equilíbrio entre oferta e demanda e confirma um cenário de resiliência do setor, mesmo diante dos desafios econômicos nacionais.
Entre agosto de 2024 e julho de 2025, foram comercializadas 117,7 mil unidades residenciais novas, consolidando o bom momento do setor. A maior parte das vendas foi impulsionada por imóveis de menor valor: o programa Minha Casa, Minha Vida respondeu por 60% do total negociado no período. O Valor Geral de Vendas (VGV) alcançou R$ 58,2 bilhões, o que representa crescimento de 9%.
Para Rafael Machado, CEO da plataforma Meu Imóvel, os números confirmam a relevância da habitação acessível na movimentação do setor. "Os aspectos econômicos do país continuam influenciando os resultados de vendas e, consequentemente, novos lançamentos do mercado. As taxas de juros altas dificultam o acesso à moradia para a classe média. Já os produtos lançados sob o guarda-chuva do programa Minha Casa, Minha Vida continuam sendo o destaque do mercado, em função das suas condições subsidiadas e, também, por ainda serem a fatia mais carente de moradia. Na outra ponta, os produtos voltados à classe de alta renda, evidentemente, começaram a mostrar sinais de acomodação, pois não é uma faixa que possui grande elasticidade, o número de potenciais compradores é muito menor".
A análise do Secovi também ressalta que, embora o desempenho seja positivo, fatores macroeconômicos ainda exigem atenção. A manutenção da taxa básica de juros em patamares elevados pode limitar o ritmo de expansão e reforça a necessidade de ajustes fiscais para a redução sustentável dos juros no país.
Segundo Machado, os resultados reforçam a confiança do mercado e apontam para oportunidades estratégicas. "Devido ao grande volume de demanda para os produtos do MCMV, há ainda muito espaço para lançamentos de produtos para este público. A estratégia consiste em encontrar áreas com preços compatíveis para o desenvolvimento destes, e ajustar o projeto para se adequar aos limites definidos pelo governo. Enquanto isso, ficar atento às oportunidades de terrenos em regiões "premium" irá permitir o desenvolvimento de produtos de alto padrão, que sempre serão absorvidos nestas áreas".
Com base nos dados mais recentes, a expectativa é que o segmento siga em trajetória estável, especialmente na demanda por moradias populares, que têm sustentado o crescimento do setor.
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