
O Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) divulgou, em 31 de março, conforme repercutido pelo UOL, um relatório de 397 páginas que destaca as altas tarifas do Brasil sobre produtos americanos, incluindo automóveis, eletrônicos e aço. O relatório aponta que o Brasil aplica tarifas de até 35% sobre automóveis, além de taxas elevadas em peças automotivas, tecnologia da informação (TI), produtos químicos e têxteis. Segundo o USTR, a imprevisibilidade dessas tarifas, combinada com preferências por fornecedores locais em compras públicas, cria barreiras significativas para exportadores americanos. O relatório também reconhece avanços na transparência, mas critica exigências de compensação em contratos de saúde e defesa.
“A estrutura tarifária brasileira e as preferências por fornecedores locais podem representar desafios para exportadores estrangeiros”, afirma Roger Madeira, Diretor da GTLA, uma consultoria americana especializada em empresas offshore.
O relatório do USTR foi seguido por um anúncio em 2 de abril, no qual o governo de Donald Trump detalhará tarifas retaliatórias em um evento na Casa Branca chamado “Liberation Day”. As tarifas propostas por Trump, que podem chegar a 25% sobre aço e outros produtos, visam países que, segundo ele, “se aproveitam” dos EUA. O Brasil, segundo maior fornecedor de aço para os EUA em 2024, com 18% do mercado, está entre os principais alvos. No mesmo dia, Trump assinou uma ordem executiva para acelerar investimentos em projetos acima de US$ 1 bilhão, como o Programa CHIPS para semicondutores, visando fortalecer a indústria doméstica.
Analistas de mercado expressam preocupação de que essas tarifas possam aumentar os preços nos EUA, já que em abril, os preços ao consumidor subiram 2,3%. Para empresas brasileiras, uma solução possível é reorganizar as exportações por meio de uma empresa offshore nos EUA com filial no Brasil. “Estabelecer uma empresa offshore nos EUA com uma subsidiária brasileira para atender o mercado americano pode mitigar o impacto tarifário”, explica Roger Madeira, da GTLA. Ele destaca que a estratégia requer planejamento para cumprir a Lei 14.754/2023, que tributa o lucro dessas empresas em 15% no Brasil, mas permite compensações no balanço, um custo inferior às tarifas que podem chegar a 35%.
Trump minimizou o risco de retaliações de países como China, Japão e Coreia do Sul, sugerindo que as tarifas podem reequilibrar o comércio no Leste Asiático. No Brasil, a falta de uma resposta oficial do governo amplia a incerteza. “A ausência de posicionamento oficial do governo brasileiro contribui para a insegurança no setor privado”, observa Madeira.
Paralelamente, Trump destacou a liderança de Elon Musk no Departamento de Eficiência Governamental (DOGE), criado para reduzir gastos federais. “Musk está trazendo uma abordagem inovadora para cortar ineficiências, mas sua permanência no cargo dependerá de suas prioridades empresariais”, afirmou Trump em coletiva. O cenário para 2025 é de tensões comerciais, com o Brasil no centro de uma disputa que exige adaptação.
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